O primeiro dia da FIPP foi bastante movimentado com discussões sobre conteúdo pago e conteúdo livre, e-readers e iPads, formatos de construção de conteúdo, rentabilização das mídias sociais e muito mais.
Confira um resumo do que aconteceu hoje e acompanhe pelo nosso blog (http://update.contentstuff.com) e pelo Twitter (http://twitter.com/contentstuff) mais detalhes do evento.
A abertura foi feita por Aaron Purie, Presidente da FIPP e dono do Grupo Living Media da India, que começou com a provoção: “Por que estamos gastando dólares para caçar centavos?” Ele indicou que os editores de revistas cometeram o erro de terem sido, em geral, muito lentos para usar a Internet e quando o fizeram foi de forma reativa e com muito conteúdo, de graça. “Como colocar o gênio do conteúdo grátis de volta para dentro da lâmpada?” foi o que questionou, preparando a discussão para os 2 dias de evento.
Aaron acredita ainda que as revistas de conteúdo especializado terão um futuro melhor do que os jornais que passarão por pressões muito maiores.
Por fim, Aaron demandou uma participação mais justa nas receitas dos leitores digitais (e-readers) que atualmente abocanham uma parcela muito significativa da receita (~70%) e não dividem com os editores os dados dos consumidores. Ele acenou como uma alternativa que seria a de incluir publicidade nos leitores digitais a fim de possibilitar a conversão de maiores receitas para esta plataforma.
Em seguida, o primeiro keynote foi de Carolyn McCall, CEO do Guardian Media Group que falou como o grupo vem passando por este período turbulento. Ela apontou a conjunção da recessão com as mudanças estruturais do mercado de mídia como a mudança dos classificados do impresso para o digital, o conteúdo livre, mídias sociais e a diversidade de plataformas, incluindo o celular. Neste cenário foram cortados custos, porém não os investimentos relacionados às plataformas digitais e iniciativas editoriais.
O Guardian Media Group vem alterando seu portfolio de produtos e empresas de forma a não depender da publicidade da forma como dependiam e vem inovando em novos modelos de receita como serviços de recrutamento, eventos, pesquisa e informações para anunciantes, etc.
Carolyn aponta um aviltamento muito grande do conteúdo noticioso em função do volume de conteúdo grátis distribuído (não apenas online, mas também com os jornais gratuítos como o “Metro”) e no lado publicitário um volume excessivo de inventário tornou a publicidade comoditizada, sendo muito difícil comandar um premium, a não ser para uma pequena parcela especial de seu conteúdo.
Na discussão da implantação de um paywall para os jornais, ela aponta que o Guardian não vê o conteúdo pago de forma geral como saída para a área de notícias por não enxergar resultados significativos. Porém, ela aponta que para revistas especializadas, sobretudo as de foco B2B, tem espaço para a venda do conteúdo, já que é fundamental na vida pessoal/profissional da pessoa. O Guardian pensa em implementar conteúdo pago em seu site em apenas alguns conteúdos muito específicos.
No painel seguinte, um grupo de 4 CEOs de empresas de mídia discutiram os modelos que tem usado para evolução de suas empresas. Christoph Schuh, da Tomorrow Focus (Rupert Burda)/Alemanha, mostrou que o grupo vem fazendo lançamentos e compras que posteriormente consigam promover através de seus outros sites e veículos impressos, como o caso de um site de viagens (que já ultrapassou a Expedia na Alemanha) e um site de relacionamento.
Todos os CEOs também indicaram a dificuldade de conseguir cobrar um premium pela publicidade online em função da comoditização dos inventários e das redes de anúncio (ad networds).
Peter Phippen, da BBC, apontou o novo iPad da Apple como uma ferramenta capaz de mudar o jogo para as revistas.
Logo antes do almoço, John Senor (que já esteve presente em dois eventos promovidos pela ANER) e John Wipers, ambos da Innovation/Inglaterra apresentaram o estudo conduzido para a FIPP sobre inovações em revistas cobrindo assuntos como 2D-tags, tablets, realidade aumentada, jogos, celular, integração de marcas, iniciativas verdes, venda de conteúdo digital, etc. O relatório com 100 páginas foi entregue aos participantes e, depois de digerido, colocarei alguns posts em nosso blog.
O painel após o almoço discutiu modelos de receita além do Display Advertising. Tim Potter da Centaur/Inglaterra mostrou como seu grupo tem conseguido inovar com ações que envolvem até o uso de conteúdo gerado pelos anunciantes. Já David Liu, CEO da The Knot/EUA, que tem foco em produtos e serviços num período da vida dos leitores – do casamento até os primeiros filhos, mostrou o modelo diversificado de receitas que inclui a venda de produtos (incluindo o processo logístico), a inclusão de conteúdos gerados pelos anunciantes e a dispersão de sub-sites para facilitar a entrada de novos leitores a partir de ferramentas de busca.
Na apresentação da Demand Media, Steven Kydd, mostrou seu complexo modelo de mensuração, que de um lado proativamente identifica conteúdos que são interessantes de explorar, passa pela contratação descentralizada de free-lancers (~7.000 free-lancers trabalharam para a Demand Media no último mês) e no controle de audiência e resultados para cada artigo publicado, possibilitando calcular o “life time value” de cada peça de conteúdo criado.
Para terminar o dia, a apresentação de John Loughlin, vice-presidente executivo da Hearst Magazines/EUA, que tem foco bastante forte no segmento feminino, mostrou com bastante orgulho o trabalho realizado desde que reincorporaram os sites de suas revistas em 2006. Atualmente, além dos resultados de audiência, os sites se transformaram em um dos maiores canais para captura de novas assinaturas, representando 50% das novas assinaturas com 3,8 milhões de assinaturas vendidas em 2009.
Por outro lado, Loughlin se mostrou bastante decepcionado quanto à contribuição dos celulares e comentou que há alguns anos ouvimos que “no próximo ano, o celular explodirá”, mas ainda continua na espera.
Termino hoje com uma citação de 1921 de CP Scott, antigo editor do The Guardian, feita pela Carolyn: “O mundo está encolhendo. O espaço está cada vez mais sendo ligado. Já podemos passar usar o telégrafo através do ar… limitações físicas estão desaparecendo… Quantas oportunidades para o mundo! Quanta oportunidade para os jornais.”
Até amanhã, com mais notícias de Berlin.
Um abraço,
Fernando Dias Martins
ContentStuff.com






