1º dia de FOLIO:Show 2010
07/06/2010 Deixe um comentário
Começou hoje em Nova York a Folio:Show e Audience Development 2010.
Depois de ter que cancelar os eventos do ano passado em função da crise americana, a Red7Media, editora da FolioMag e da Audience Development (antiga Circulation Magazine) voltou em grande forma, juntando as 2 conferências das revistas num mesmo evento. São 68 sessões e mais de 60 expositores participando do evento em 2010.
Hoje, primeiro dia da conferência, foram quatro palestras com enfoque em revistas digitais, e-readers e mobile publishing.
Steve Paxhia, presidente da Beacon Digital Strategies, mostrou que as edições digitais do tipo “digital-replica” (que transferem a mesma edição para a plataforma digital) já atingem mais de 6.000 publicações nos Estados Unidos. Apesar do grande número de edições deste tipo, Paxhia apontou que os editores devem perseguir a criação de uma família de produtos de conteúdo baseados numa mesma marca, mas que a aplicação do conteúdo a cada plataforma deve ser customizada para as características de cada uma individualmente: “o modelo de um único produto que seja simplesmente transferido para cada plataforma não funcionará”.
No desenho das aplicações de conteúdo para as plataformas móveis devem ser levadas em conta as vantagens destas, que estão relacionadas ao fato de serem mídias oportunistas, engajantes, portáteis, atingindo um público mais jovem e com aparelhos sensíveis à localização geográfica. Além disso, tudo em digital é mais mensurável, o que foi classificado, ao mesmo tempo, como uma boa e uma má notícia, já que os números de visualizações e interações são muitas vezes decepcionantes.
Neste cenário, a recomendação de Paxhia é que sejamos “mídia agnósticos”, ou seja, não tenhamos uma preferência pré-determinada sobre um meio frente a outro. Ele salientou também a importância da marca: “Na medida em que mais e mais produtores de conteúdo de qualidade publicam conteúdo nas várias plataformas, será a marca que fará a diferenciação perante os leitores.”
Dick Ryan, da Publishers Press CMS, apresentou alguns números de sua operação de digitalização de edições no modelo “digital-replica”, atendendo por volta de 160 edições por mês, acumulando por volta de 3 milhões de page-views e 22.000 usuários mensais. Com estes números, ele chamou atenção para que os editores façam o planejamento estratégico, assim como seus planos de negócio para as mídias digitais.
Josh Gordon, da Smarter Media Sales, trouxe informações a respeito da publicidade nas edições digitais. Depois de conduzir um extenso estudo sobre a venda de publicidade em revistas digitais, ele identificou (apenas) oito títulos que têm conseguido sucesso na comercialização de publicidade para edições digitais. Reforçando o ponto da mensuração apontado por Paxhia, tipicamente as revistas digitais têm e terão pior desempenho tanto em relação a cliques quanto a impressões quando comparados com outras mídias. Por outro lado, o engajamento, a interatividade e a qualidade de exposição obtida nas revistas digitais são muito superiores aos das outras mídias, devendo-se focalizar a discussão nas áreas de compra de mídia das agências. Ele exemplificou comparando o espaço que um skyscraper ou super-banner utiliza da página com o destaque conseguido com o anúncio de uma página – “o espaço de uma página na revista digital é um grande ativo e temos que vender algo que é único”.
Os oito títulos apontados por Gordon como de sucesso na venda de publicidade da edição digital são: Grand, VivMag, HorseLink, Escapes, PremierGuitar, Outside´s Go, Winding Road e The Pop Sci. Em comum, nenhuma delas é hoje uma “digital-replica” e apenas uma é originária de uma revista impressa, o que mostra que ainda há grande esforço para as revistas tradicionais em conseguir se transformar para realizar a venda de espaços digitais. Gordon acrescenta: “quando leitores estão acostumados a interagir com o conteúdo editorial, é mais provável que eles interajam com o conteúdo publicitário”.
Por fim, a apresentação da Bonnier Group tratou da plataforma Mag+ e Popular Science, cuja adaptação para o iPad foi apontada por Steve Jobs como um bom exemplo para a indústria de mídia impressa na criação de um produto interessante para o tablet da Apple.
O conceito “Mag+” da Bonnier está baseado na substituição do “folhear” pelo “flutuar” com a transição de rolagem horizontal e vertical. Além disso, o conteúdo está disposto em duas camadas, uma primariamente de imagens e outra de texto, sendo que o leitor pode “descolar” uma da outra facilitando a leitura e visualização de conteúdos extras (veja um preview da PopularScience+ neste vídeo). Por enquanto o Mag+ está disponível apenas para a Popular Science e para iPad, porém será ampliado para outros títulos da editora e para outras plataformas. Até sexta-feira passada, a Bonnier contabilizava 34.000 downloads a US$4,99 e acredita que o projeto terá seu pay-back em poucas semanas.
Dado o interesse de outros editores sobre a plataforma Mag+, a Bonnier está avaliando se irá licenciar ou não sua plataforma para outros editores.
Outro ponto importante destacado pela Bonnier é referente à sua política de precificação. As edições avulsas estão sendo vendidas ao mesmo preço da edição impressa e as assinaturas serão vendidas a preço superior ao das assinaturas da revista impressa. Eles acreditam que há um premium a ser cobrado em função das funcionalidades adicionais na plataforma digital.
Amanhã a conferência continua com várias palestras a respeito do que pode ser feito agora. Na quarta-feira, se encerrará com outras apresentações sobre o futuro da indústria e ações.
Outros links sobre material comentado nas palestras.
Estudo apresentado por Steve Paxhia – Digital Platforms and Technologies for Publishers: Implementations Beyond “eBook”
Estudo apresentado por Josh Gordon – The Case for Advertising in Digital Magazines
Até amanhã, com mais notícias direto da Folio:Show e Audience Development.
Um abraço,
Fernando Dias Martins
ContentStuff
