Social Media Brasil – resumo do 2º dia de palestras

O segundo dia de palestras e debates foi menos intenso. Erica Swallow do Mashable, maior guia de social media da internet, apresentou uma pequena lista com 6 dicas para a mídia tradicional, abordando The New York Times e as mídias tradicionais em transformação.

  1. Diversifique atualizações: há muitas opções de formatos a serem utilizados, e os usuários costumam reagir diferentemente à diversidade de mídias. A pergunta não é “como posso utilizar o twitter, o orkut ou o YouTube”, mas “como fornecer valor ao meu público”;
  2. Medie as conversas: não somente se auto-promova;
  3. Engaje-se com o público: pergunte, comente, responda;
  4. Promova sua presença: há diversas ferramentas para linkar um site com suas redes sociais, dentre eles botões, widgets, links, microsites, ad units (propaganda das redes sociais onde está presente), integração mobile, etc.;
  5. Customize a experiência do usuário: desvie-se dos defaults com avatars diferenciados, backgrounds, layouts…;
  6. Rastreie tudo: qual conteúdo é melhor aceito? Quais plataformas sociais são mais interativas para meu target? Quais condições otimizam as atualizações (hora, dia da semana, periocidade de posts)?

Blogs que vendem foi considerada uma palestra de entretenimento, pois os criadores do blog Jovem Nerd expuseram seu case de crescimento do site de forma humorada. Em suma, o primeiro passo em direção aos altos números de visitação foi dado quando o portal IG hospedou o site, razoavelmente popular na época, e quando abriram uma loja online para venda de produtos direcionados ao público nerd.

Verena Petitinga (gerente de Novos Negócios da Infoglobo), também gestora da rede social O Livreiro, compartilhou experiências próprias em Nenhum engajamento é de graça. Aprendeu que a chamada “geração y” está muito mais interigada que a anterior, troca experiências constantemente, constrói uma conexão emocional com pessoas de sua rede, lidam bem com diferenças, possuem consciência coletiva e resistência á hierarquia. É necessário entendê-la para poder engajar por meio do fator “we” (do inglês “nós”). Nesta fase de transição e incerteza nos negócios, qualquer equipe deve estar preparada para a gestão do conhecimento, ou seja, aprender com os erros. A chamada economia do engajamento se baseia em construção interativa e colaborativa e percepção de pertencimento. As pessoas são “e”, não mais “ou” – jornalistas e blogueiros, não são apenas um ou outro. Usuários não são instrumentos, são pessoas que querem relacionamento. Para finalizar, citou Kevin Roberts, autor do livro Lovemark, dizendo que Return on Investment (ROI) está dando lugar para Return on Involvement.

Certamente a palestra-debate mais inspiradora foi a de Renato Ourinhos (Riot) e Caio Casseb (Talk Inc), sobre Consumo Colaborativo. Grosso modo, a marca do século 21 foi o hiperconsumo – vender era colocar o produto na frente das pessoas. O consumo hoje se baseia em laços de confiança entre as pessoas, desconhecidas inclusive. O mundo digital é o grande viabilizador do consumo colaborativo e responsável por mudar a relação de propriedade entre as pessoas e as coisas. A repercussão imediata deste processo é mudar também a forma como empresas fazem negócio. Este novo conceito de consumo altera três componentes no mercado:

1. Como as pessoas entendem o produto: passam a ser serviços (paga-se pelo uso do produto). Um bom exemplo é a existência de empresas que vendem carros. Aos poucos surgiram empresas que alugam carros, e atualmente pessoas alugam carros para pessoas.

2. Surgimento e explosão de áreas diferenciadas para distribuição do produto. eBay, Craigslist, Freecycle, etc. são espaços genéricos para troca especializada de mercadoria. Um dado para ilustrar esse crescimento: o eBay (equivalente ao Mercado Livre no Brasil) movimenta anualmente 500 bilhões de dólares com a venda de produtos usados.

3. Lifetyle mais sociável: a colaboração se torna cada vez mais uma prática de todos, a um ponto em que será possível trocar não somente mercadorias, mas aspectos aparentemente intangíveis, como habilidade, espaço e tempo hábil. Algumas iniciativas já operantes:

- airbnb: famílias alugam ou cedem espaços em suas casas para pessoas que viajam a diferentes lugares do mundo e optam por não se hospedar em hotéis. 50 milhões de pessoas já utilizaram o site, e destes, cerca de 99% aprovaram o serviço, evidenciando o fortalecimento dos laços de confiança entre estranhos.

- Brooklin Skillshare: é uma comunidade autônoma que se encontra para aprender  e ensinar reciprocamente. Troca de experiências e habilidades são o ponto centralde pessoas que consideram a educação um direito, não comodidade.

- Landshare: quase 50 mil pessoas estão unidas em uma comunidade composta por quem oferece terra (literalmente) para pessoas que querem plantar ou retirá-la da ociosidade. O social game Farmville encontra aqui sua melhor expressão real, possibilitando aos usuários trabalhar coletivamente por um dos prinícipios da atividade humana (produção de alimentos) e a comercialização entre a comunidade.

O consumo colaborativo melhora nossa relação de consumo, e observamos o advento de uma onda de microempreendedores que ajudam a resolver parte dos nossos problemas. Trata-se de uma relação mais saudável com as coisas que temos e queremos pelo conceito P2P.

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Uma Resposta para Social Media Brasil – resumo do 2º dia de palestras

  1. Adriano de Almeida disse:

    Muito legais as palestras do evento. Deu pra ter um panorama geral das mídias sociais no Brasil e no exterior, principalmente EUA.
    Uma das palestras que eu mais gostei foi a do Augusto de Franco que falou sobre as redes sociais em geral, independentemente das mídias digitais. O discurso foi mais focado nas relações humanas, utilizando principalmente os conceitos de hierarquia e rede para mostrar como se dão estas relações.
    Outra palestra bastante interessante foi a do Marcelo Coutinho que falou sobre ROI em Mídia Social, ressaltando que os resultados não devem ser medidos apenas pelos números como exposições e interações porque grande parte do ganho obtido com este tipo de campanha não pode ser mensurado desta maneira.

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