A revista Negócios da Comunicação entrevistou Fernando Martins em sua Edição 38 para abordar a discussão sobre uma nova gestão da veiculação de conteúdo de publicidade. Confira o material com os highlights do evento:
Arquivo para FIPP Berlin Digital Innovators
Resumo do 2o dia de palestras e debates em Berlin
“Sim! Nós estávamos errados a respeito do conteúdo grátis… E temos que fazer algo a respeito”. Com esta frase, Mike Hewitt, mestre de cerimônias, abriu o 2o dia da FIPP Digital Innovators´ Summit em Berlin.
Esta posição é diametralmente oposta ao que havia sido discutido aqui neste mesmo auditório na sede da Deutsche Telekom em Berlin, há 2 anos atrás quando estive aqui. Dada a situação atual, já tendo acostumado os leitores ao conteúdo livre, a solução sugerida não é a de simplesmente fechar o conteúdo (ainda que o Rupert Murdoch ache que é a única solução), porém o modelo de “Freemium”, que ganhou força com Chris Anderson, foi repetido várias vezes ao longo do evento. Ou seja, continuar entregando conteúdo grátis para uma parte significativa da audiência, porém incorporar conteúdos (e serviços) premium que possuam valor, sejam relevantes e que, por isso, possam ser cobrados.
Segundo Ben Edwards, The Economist, “os leitores pagarão por conteúdo empacotado no digital, assim como fazem no impresso”, porém a discussão recai na capacidade dos editores em criarem “pacotes” e conteúdos que sejam realmente significativos e relevantes para os leitores. Neste aspecto, as revistas especializadas estão em bem melhor posição do que os jornais, que possuem conteúdos muito mais comoditizados e menos relacionados com as paixões pessoais das pessoas e/ou seu uso profissional.
Os painéis seguintes focaram no mercado anunciante, que não aparece como solução para equilibrar a conta do online. “A receita online não será suficiente para cobrir a perda no negócio impresso” foi outra frase repetida por vários apresentadores.
Suzanne Kunz, Diretora de Marketing da Procter & Gamble, apresentou a campanha da Gillette na Índia, promovendo um grande debate nacional, buscando a resposta se os indianos deveriam ou não se barbear. Toda a concepção da campanha era multi-canal e conseguiu também aproveitar muita mídia espontânea. Suzanne apontou este modelo como uma tendência e demandou dos editores a construção de formas mais “transparentes” de integração entre diferentes canais.
As apresentações que se seguiram, da Neo@Ogilvy, da Digitas e PubMatic colocaram ainda mais tensão no ar. O investimento publicitário está claramente bifurcando para 2 principais “bolsos”.
O primeiro “bolso”, definido por Matthias Kurwig da Neo@Ogilvy como “data-driven” se desloca cada vez mais para modelos automatizados de compra, onde os anunciantes irão demandar posicionamento de anúncios em função de dados demográficos e de comportamento, fazendo “leilões” para atingir determinados tipos de público, fazendo com que o modelo todo evolua para um processo mais semelhante ao da compra de palavras-chaves, tornando-se extremamente “matemático” e dificultando a cobrança de um premium.
O segundo “bolso”, definido como “deal-driven” se assemelha ao modelo tradicional, com a busca dos anunciantes em se engajarem com os leitores através da criação de espaços customizados e novas experiências. A notícia ruim é que o modelo “deal-driven” perderá tamanho nos próximos anos, com uma concentração maior no modelo “data-driven”.
Outro aspecto discutido nas apresentações é o grande efeito de escala para as operações de publicidade online. Parte deste efeito decorre da pior eficiência do processo de planejamento, compra e implantação de campanhas online. Segundo Loughlin,da Hearst Magazines, o custo de “overhead” de uma agência para a compra de publicidade em TV é de 2%, enquanto para mídia na Internet é de 28%.
Nas discussões sobre o uso do celular, a apresentação de Marco Koeder, da Cybermedia do Japão foi a que mais chamou atenção. “O Futuro é o Celular” disse Koeder, mostrando que no Japão o presente já é o celular. Neste mercado, a maior parte do acesso de internet já é conduzido de forma móvel e as comunidades e serviços mobile até derivaram para produtos físicos como livros e programas de TV.
Para tangibilizar o tamanho da indústria global (não apenas Japão), Koeder acrescentou que a receita mundial de serviços relacionados a celular já atingiu o valor da produção de petróleo.
Há, contudo, uma grande preocupação de, ao entrar em mobile, avaliar de forma muito mais detalhada a estratégia para se evitar os erros que foram feitos com a entrada das revistas na Internet, de forma muito aberta e gratuíta.
Por fim, Bob Carrigan, CEO do IDG, apresentou a evolução do volume de páginas do segmento de publicidade de TI que caiu de 140.000 páginas/ano em 2000 para 20.000 páginas em 2009. Ele deixou um ar de esperança de quem conseguiu transitar, com muito trabalho, do modelo impresso para o modelo multi-canal com eventos, web, mobile, serviços de marketing para anunciantes, marketing em mídias sociais, geração de leads, etc.
Nas entrelinhas do evento, o que se vê é que o espaço para os “pure magazine players”, ou seja, os editores que estão baseados unicamente no processo de impressão de revistas é cada vez menor – estão em melhor posição aqueles que vem buscando complementar negócios à sua área de expertise e sua audiência, não só pela presença web, mas também pela agregação de serviços ao anunciante, pela venda de conteúdo online, plataformas mobile, etc.
O espaço é curto e as novas idéias e provocações do evento são inúmeras. Estarei ainda organizando o material coletado e buscando sua tropicalização para nosso mercado. Se tiver interesse em compartilhar em primeira mão mais informações a respeito do evento basta me avisar através do email update@contentstuff.com.
Um abraço de Berlin,
Fernando Dias Martins
Acompanhe o 2º dia do FIPP Digital Innovators´ Summit em Berlin
Resumo do 1o dia de palestras e debates em Berlin
O primeiro dia da FIPP foi bastante movimentado com discussões sobre conteúdo pago e conteúdo livre, e-readers e iPads, formatos de construção de conteúdo, rentabilização das mídias sociais e muito mais.
Confira um resumo do que aconteceu hoje e acompanhe pelo nosso blog (http://update.contentstuff.com) e pelo Twitter (http://twitter.com/contentstuff) mais detalhes do evento.
A abertura foi feita por Aaron Purie, Presidente da FIPP e dono do Grupo Living Media da India, que começou com a provoção: “Por que estamos gastando dólares para caçar centavos?” Ele indicou que os editores de revistas cometeram o erro de terem sido, em geral, muito lentos para usar a Internet e quando o fizeram foi de forma reativa e com muito conteúdo, de graça. “Como colocar o gênio do conteúdo grátis de volta para dentro da lâmpada?” foi o que questionou, preparando a discussão para os 2 dias de evento.
Aaron acredita ainda que as revistas de conteúdo especializado terão um futuro melhor do que os jornais que passarão por pressões muito maiores.
Por fim, Aaron demandou uma participação mais justa nas receitas dos leitores digitais (e-readers) que atualmente abocanham uma parcela muito significativa da receita (~70%) e não dividem com os editores os dados dos consumidores. Ele acenou como uma alternativa que seria a de incluir publicidade nos leitores digitais a fim de possibilitar a conversão de maiores receitas para esta plataforma.
Em seguida, o primeiro keynote foi de Carolyn McCall, CEO do Guardian Media Group que falou como o grupo vem passando por este período turbulento. Ela apontou a conjunção da recessão com as mudanças estruturais do mercado de mídia como a mudança dos classificados do impresso para o digital, o conteúdo livre, mídias sociais e a diversidade de plataformas, incluindo o celular. Neste cenário foram cortados custos, porém não os investimentos relacionados às plataformas digitais e iniciativas editoriais.
Acompanhe a FIPP Digital Innovators´ Summit em Berlin
Confira o que está acontecendo na FIPP em Berlin através do nosso twitter.com/ContentStuff
Fernando Martins já está em Berlin para acompanhar a FIPP Digital Innovators´ Summit
Começa amanhã, 1o de março de 2010, em Berlin a FIPP Digital Innovators´ Summit.
Confira aqui e no twitter.com/contentstuff as notícias deste evento que reúne a cúpula dos principais editores do mundo para discutir o futuro da indústria de mídia.
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Confira os palestrantes da FIPP Digital Innovators´ Summit
Moderadores
Mike Hewitt (Master of Ceremonies)
CEO, C-Stream Limited, UK
Saiba mais…
Glenn J. Hansen
President and CEO, BPA Worldwide, USA
Saiba mais…
Saiba tudo sobre a FIPP Digital Innovators´ Summit
Acontecerá entre 1 e 2 de março, em Berlin, a Digital Innovators´ Summit – Driving Digital Profits, evento organizado pela FIPP, VDZ e emedia SF. Este evento, focado nas estratégias e ações digitais associado à indústria de revistas, cobrirá os seguintes temas:
- Estratégias de sucesso para as ofertas digitais, incluindo modelos de negócio diversificados e novas formas de gerar conteúdo, com estudos de caso de publishers internacionais
- Monetização do conteúdo digital com ferramentas, serviços e aparelhos inovadores
- Novas tendências em publicidade online
- O que agências e marketeiros esperam dos publishers
- Discussões com companhias inovadoras do mundo todo a respeito da forma como suportam ofertas online de sucesso
Acesse o site oficial do evento em http://www.vdz.de/innovators-summit-registration.html e também acompanhe aqui o seu desenrolar.

3º dia – FIPP Digital Conference – 04/03/2008
O último dia da 2ª FIPP Digital Conference começou com uma provocante apresentação de Ralf Maltzen, diretor de CRM e Internet Marketing da Volkswagen com o título “Os anunciantes se tornam editores na Internet?”. Uma de suas preocupações tem sido no crescimento do uso de mídia em geral pelo público e nas inúmeras possibilidades de onde colocar anúncios, o que torna a escolha para o anunciante cada vez mais complexa. Parte de seu approach tem sido em levar mais métricas para o processo de escolha e, em adição, tem feito a Volkswagen concentrar o investimento em contratos de publicidade baseados em performance (no seu caso baseado em custo por lead gerado) ao invés de modelos tradicionais por compra de espaços publicitários, o que, segundo ele, tem gerado economias significativas de budget.
Neste exercício de onde colocar sua verba publicitária, a opção da Volkswagen tem sido cada vez mais em investir em seu próprio site, não apenas do ponto de vista de conteúdo comercial, mas também editorial com a produção de conteúdo pelo próprio anunciante. A operação online da Volkswagen emprega 60 pessoas na Alemanha, dentre as quais 17 jornalistas. ”Nós (Volkswagen) brigamos com os editores pelos melhores jornalistas do mercado”. Maltzen citou o exemplo da campanha de Horst Schlämmer com conteúdo de texto e vídeo produzido especialmente por eles que rendeu enorme publicidade gratuita. “Assustador” foi o comentário do moderador após sua apresentação.
2º Dia – FIPP Digital Conference – 03/03/2008
Hallo! Olá!
No 2º dia da 2ª FIPP Digital Conference tivemos apresentações de diversos grandes players do mercado internacional de publishing.
Na sessão de abertura, Donald Kummerfeld, presidente e CEO da FIPP, anunciou que o crescimento da audiência dos sites de revistas no mercado americano foi de 8,4% em 2007, consideravelmente acima da média de sites americanos e apontou que o negócio digital deve ser considerado de uma perspectiva de investimento, com paciência e persistência: “Não é um negócio que acontece da noite para o dia”.
De fato, várias das palestras mostraram que após alguns anos de investimentos, vários dos sites já conseguiram obter margens positivas. Entre os que apontaram estes resultados estão Spiegel Online, IDG, Axel Springer, Meredith, Rogers Publishing, entre outros.
A importância do online dentro do negócio dos editores também vem crescendo. Patrick McGovern, chairman do IDG, anunciou que as receitas do online já representam 33% do seu negócio e projeta que, em 2010, este número chegue a 47% do faturamento, ficando o negócio impresso com 33% e eventos com 20%. De forma semelhante, Susan Odell, vice presidente da Techtarget também apontou participação acima de 50% do online em sua receita total.







