Digital Innovators’ Summit 2012 – Highlights do último dia
14/03/2012 Deixe um comentário
O dia começou com Andy Seibert, presidente da Dow Jones Content Lab & SmartMoney (dowjones.com, EUA) falando sobre a iniciativa de custom publishing da Dow Jones (Dow Jones é parte da NewsCorp e publica The Wall Street Journal e outros títulos tanto para B2B quanto B2C). Eles criaram uma divisão especificamente criada para alavancar o conteúdo e expertise do grupo para atender clientes corporativos. Aproveitaram a solidez das marcas e iniciaram projetos principalmente com o mercado financeiro. Um dos primeiros projetos foi da revista “view” para a UBS, evoluindo rapidamente para mais de 30 clientes envolvendo a criação de vários tipos de conteúdo como e-newsletters, newsletters impressas, vídeos, infográficos, livretos, seminários e revistas impressas e digitais. Um dos cases citados foi da revista OnInvesting criada para a Charles Schwab que ultrapassou a audiência dos títulos da casa como Smart Money (veja o vídeo apresentado em nossa pagina no Facebook). Segundo ele, “a Coca-cola está criando uma estratégia de conteúdo… Anunciantes estão criando conteúdo e querem formas de distribuí-lo” e assim é uma oportunidade para os publishers aproveitarem seu expertise para auxiliar os anunciantes.
ServicePlan (serviceplan.com, Alemanha), Admeld (admeld.com, EUA, recentemente comprada pelo Google) e Krux (krux.com, EUA) discutiram a evolução dos sistemas de gestão de publicidade online e sua crescente complexidade, agregando leilões em tempo real, behavioural targeting e redes privadas de publicidade.
Para falar de tendências digitais para publishers, foi chamado Danny Cohen, sócio do Gemini Israel Funds (gemini.co.il, Israel), em função da importância de Israel no ambiente de start-ups digitais. Segundo Cohen, as principais tendências para mídia são:
- Editores estão se tornando marcas
- Video, video, video
- Busque por novas formas de monetização (como e-commerce, novas formas de anúncios e melhor targeting)
- Personalização
- Crescente valor da parte criativa
Outro ponto de atenção que ele quis frisar foi para que tenhamos no radar as “Smart TV’s” e o que a Apple fará com sua nova Apple TV futuramente. Pode ser outro importante agente de ruptura.
Sobre plataformas móveis, Ulla McGee, vice presidente de produtos mobile do IDG (idgcsmb.com, EUA) destacou a importância de conseguir relevância frente aos usuários e a estratégia de conteúdo deve levar em conta os prós e contras da criação de aplicativos e/ou mobile websites.
Entre as vantagens dos aplicativos estão sua velocidade, capacidade de consumo offline e a integração com o hardware, porém no lado negativo, tem custo de manutenção elevado, são mais difíceis de garantir tráfego ao longo do tempo e ainda precisam ser redesenvolvidos para diferentes aparelhos.
Hannu Verkasalo, vice presidente da Arbitron Mobile (arbitronmobile.com, Finlândia) mostrou vários indicadores de hábitos de utilização de tablets e smartphones. Um dos resultados já impressionantes nos EUA é que o tempo gasto em Tablets (62 min/dia/usuário) e Smartphones (68 min/dia/usuário) quase emparelharam com o tempo gasto online a partir do desktop (72 min/dia/usuário).
A seguir, houve um debate sobre monetização em tablets com representantes da BCG, Axel Springer (axelspringer.de, Alemanha), Bonnier/Mag+ (magplus.com, Suécia) e Adobe Systems. Georg Konjovic, diretor de conteúdo premium da Axel Springer, defendeu a estratégia de usar o modelo básico de réplica PDF para edições digitais em função de, para alguns grupos de usuários, serem a melhor solução para o leitor. Em paralelo, para alguns títulos específicos, se justifica a criação de edições/aplicativos especiais.
Andreas Hollstroem, diretor da Digital Publishing Adobe Systems, ressaltou que as edições digitais já tem contribuído com uma ampliação de até 20% da circulação tradicional impressa. Por fim, o painel comentou sobre os tablets Android, que ainda não conseguiram atingir representatividade e cuja receita do Android Market é marginal. Por outro lado, destacaram a rápida adoção do Kindle Fire nos EUA como plataforma a observar conforme for liberado para comercialização em outros países.
Para reflexão final: em sua apresentação, Ulla McGee, do IDG (EUA), colocou seu ponto de vista de que as revistas impressas deixarão de existir. Questionada ao final da apresentação sobre sua generalização ela respondeu: “Eu posso estar errada, mas prefiro estar errada acreditando que não existirão no futuro revistas impressas e ser surpreendida, do que acreditar no inverso”. É claro que sua visão pode estar enviesada em função de seu portfólio estar focado em conteúdo de tecnologia, mas é um outro ângulo para lidar com a realidade.
As discussões e cases apresentados mostraram que as empresas de mídia aqui estão rapidamente construindo novas fontes de receita, tanto na área digital quanto em mídia off-line, como a criação de eventos e a produção de conteúdo para anunciantes.
Como tropicalizar este movimento para o Brasil é um desafio – tanto em função da ainda baixa penetração da Internet e dos tablets, quanto da diferença de escala entre os modelos de negócio de mídia no mundo desenvolvido em comparação com o nosso mundo em desenvolvimento. O fato é que as mudanças também ocorrerão no Brasil e cabe, no mínimo, exercitar o planejamento do que pode ser feito para melhorar o posicionamento estratégico da índustria de mídia brasileira.
Estarei de volta a São Paulo na próxima semana e fico à disposição para trocar idéias a respeito do Digital Innovators’ Summit.
Fernando Dias Martins






